Friday, May 25, 2012
Aproveitando a coisa das cinzas do vulcão que impossibilitou os aviões de cruzarem o céu de Londres um dia disse: Viram? o céu de Londres também é azul, o que deixa o coitado cinza são os milhares de aviões que cruzam por ele. Um inteligente desqualificou meu entusiasmo dizendo: Foi apenas uma coincidência, don't worry about it. Anos depois, sem ter aprendido absolutamente nada sobre a cultura inglesa e interrompendo um papo de cafézinho me aventurei: Acho uma péssima ideia que os jogos olímpicos sejam disputados em Londres no momento, os terroristas vão aprontar alguma, só não vê quem não quer. O mesmo gênio me garantiu que nada de ruim poderia acontecer, já que a polícia inglesa está bastante bem preparada. Enquanto as olimpíadas estiverem acontecendo sairei de casa apenas por descuido. Avião, trem, metrô ou ônibus nem que me paguem as passagens. Sou brasileiro, mas nem por isso eu tenha a obrigação de ser um burro desqualificado.
Saturday, May 19, 2012
Papo furado
Um dia comentei com uma amiga que mesmo achando divertido juntar umas palavras, seguidamente nada me ocorria de interessante para escrever sobre. Ela prontamente disse que conhecia um texto de um ilustre que sofria do mesmo mal e que me enviaria o tal texto por e-mail para tentar me ajudar na suposta crise. O texto começava mais ou menos assim: " A tela vazia e nenhuma palavra aparece para ser escrita, um "branco" acontecendo e blá blá blá ... por mais umas cinco páginas". Na última linha o gênio me deu o tiro de misericórdia escrevendo: "Quando não temos nada de interessante para escrever a coisa pode ficar bastante difícil". Estou achando que a maneira mais racional de aproveitar uns livros seria ler apenas a primeira e a última página. O miolo rechearíamos com as nossas experiências e gostos pessoais. Não sei se alguém concordaria comigo, mas eu não tenho mais tempo de vida para perder com gente que escreve muito sobre absolutamente nada.
Do livre pensar
O que conhecemos do tentar viver decentemente veio de uma história muito distante e dolorida. Se eu tentasse colocar o que estou pensando em cinco, dez ou cem mil anos atrás alguns ainda me chamariam de ridículo, tudo bem, seguro mais essa. Existem pessoas inteligentes que juram que a vida do planeta começou no ano zero, Jesus nasceu, fazer o que? Os gregos, mesmo com os vários Deuses deles, nos trouxeram grandes ideias para serem desenvolvidas, talvez as pessoas da época teriam o cérebro meio vazio, daí aparecerem tantas coisas inovadoras, sabe-se lá . A Grécia está falida de novo, algum novo império inimigo estaria surgindo ou seria apenas mais uma forma de comprovar a teoria de Darwin. Conheci dois gregos, tentei e não consegui gostar de nenhum, sinto muita vergonha de mim.
O braço traidor
Depois de anos relutando, resolvi aceitar a ideia de ir num restaurante chinês em Londres. Algo me dizia que o pão de aipim não existiria, o molho doce-azedo fosse invenção dos chineses que migraram para Porto Alegre e que o arroz com misturinhas fosse delírio meu. Como entrada serviram uma cumbuca de "mandiopã " (alguém ainda lembra disso?) com um molhinho bem bom que adorei!. Senti como se estivesse no Pagoda ou Lokun, uma boa viagem no meu tempo. As chinesas serviram o que tínhamos pedido e era muito semelhante ao que meu olfato lembrava. Depois do jantar e uma conversa bem boa acontecendo, uma chinesa resolveu limpar a nossa mesa sem pedir licença. Fiquei de olho nela, o meu saudoso mandiopã ela não iria subtrair, já tinha inclusive um discurso polido nas minhas mangas. Eis que vem um bracinho chinês pelas minhas costas e vai direto na cumbuquinha das minhas saudades. Minha reação foi péssima, grosseiramente disse: Não toca no meu mandiopã!
Culpas
Aprendi muito mais com os meus dois filhos do que já pude retribuir. O alemãozinho tinha uns nove anos quando me largou essa: O pai, to ralado. Tenho um sobrenome judeu e outro alemão. Minha vida pode ser meio complicada. A aliada dele, minha filha que tinha uns seis, sorrindo o sorriso destruidor de personalidades que ela ainda porta, esperou minha resposta com requintes. Lá fui eu: Vamos um pouco mais para trás, judeu, alemão, italiano, português, francês e sabe-se lá as origens das nossas famílias, não esquenta a tua cabeça com essa coisa de sobrenomes. Lembrei da conversa com os meus dois, porque a segunda guerra deixou marcas profundas na Europa. Conheci uma única alemã que foi minha colega numas aulinhas de gramática inglesa e mais ninguém daquele país. Ela não parecia estar se sentindo confortável e eu entendi que nem poderia. Bombardear o país dos outros não deve ser uma coisa a merecer elogios. Ela não teve culpa de nada, mas o sentimento era inerente.
Sunday, May 06, 2012
Esperanças
Se eu tivesse a oportunidade de ser uma pessoa madura, teria tentado, talvez conseguido. Não deve ser fácil ser uma, fácil é reclamar, questionar, provocar ou exigir as coisas todas brilhantemente feitas ou resolvidas pelos outros. O jovem país Brasil, tem muito ainda que aprender com a história dos irmãos mais velhos. Alguns europeus (quase todos) gostariam que os seus governantes enviassem dinheiro para as suas casas pelo correio. Se eu fosse uma pessoa madura e sem querer parecer criativo perguntaria: Porque os países europeus estão quase todos na merda?
Sunday, April 15, 2012
Um túnel de algum tempo

As vezes fico calado tentando pensar umas coisas que nunca aconteceram. Tenho uma fisionomia única para visitar museus e coisas antigas, minha cara não muda muito e dialogar comigo fica meio bastante difícil. O túnel de pedestres para atravessar o Tâmisa, concluído em 1902, foi um caso desses. Construíram a coisa para que as pessoas que moravam no sul de Londres pudessem chegar para trabalhar sempre no horário previsto, muitas docas eram no norte. Na época, as mercadorias eram transportadas por barcos e Greenwich era um local de vital importância para o comércio londrino. Greenwich continua um lugar importante para o mundo, não tenho a mínima ideia do porquê. Atravessando o túnel, fiquei meio deslumbrado com o desgaste do piso, um cheiro de mofo mofado e lá pelas tantas a coisa fica diferente. Placas de ferro com parafusos enormes por uns metros. Porquê? Claro que foi uma bomba nazista que acertou o inocente e velhinho túnel. Nada nunca muda, nem mesmo a desgastada e chata "História da raça humana". (Henry Thomas deu esse nome para um maravilhoso livro que escreveu).
Saturday, April 14, 2012
Terapia urgente
Tenho alguma esperança de que já tenham inventado algum medicamento contra a rabugice que não seja o óbvio de ter que nascer de novo. Hoje fui ao cinema, no cinema está gramaticamente incorreto, entendeu ou quer que eu desenhe? Fui todo feliz assistir a um ótimo filme com uma pessoa completamente importante para mim. Escolhemos o cinema das estreias hollywoodianas para lançamentos na Europa. Caro para caramba! tudo muito bom, e o povinho? Com lugares numerados fomos agraciados com um cabeçao, o cabeçao estava na minha frente. Não bastando, o fucking cabeçao colocou um enorme casaco no espaldar de sua cadeira, o que significou encostar nas minhas pernas. Nunca vi isso em nenhum teatro, cinema ou show. Minha parceira de filme me disse: Pai respira fundo e deixa de ser rabugento. Contei até dez umas cinco vezes para saber de onde viria a criatura egocentrada. Meu rabugismo foi criado pela minha avançada idade, ou pela cidade que amamenta criaturas sem nenhuma educação ou que receberam alguma num privado iglu.
Thursday, April 12, 2012
Dos diferentes

Quando me sinto desambientado na Europa, penso que deve haver alguma coisa errada nisso. Numa páscoa, fui convidado para um barbecue (churras). Fiquei todo entusiasmado com a futura próxima festança. Pensei em manufaturar "pão à rogeriana" e carregar ingredientes para umas inspiradoras caipirinhas, mas achei mais prudente apenas levar uma garrafa de um bom tinto. Fui recebido com muita alegria pela anfitriôa e pelos convidados que lá estavam. Como velho menino gaúcho, sabia que meu lugar seria ao lado do anfitrião na frente da churrasqueira, ajudando-o na árdua tarefa de olhar o fogo e lembrar de alguma gracinha criativa. Não consegui identificar o que havia em cima das grelhas e mesmo com receio perguntei o que era. Meu "colega" disse orgulhoso: são coelhos pelas metades o que dá um sabor sensacional. Me arrependi de não ter levado os meus pães, almocei umas cenouras e afoguei minhas culpas na tal garrafa de vinho.
Saturday, April 07, 2012
Minha princesa
Cada um mostra seus sentimentos da maneira que pode ou consegue. Minha filha está em Londres faz uma semana, levei o bichinho em muitos lugares que conheço, mostrei coisas que já muito vi e comentei sobre umas coisas que já sabia. A menina me deu uns "bailes" bacanas. Não preciso mais recorrer ao dicionário de inglês quando me aperto, a guria sabe a tradução das palavras esquecidas, ou nunca sabidas e não me sinto diminuído, apenas muito orgulhoso. Hoje ela me disse um presente lindo: Pai, se eu já sentia orgulho de ti, hoje vendo de verdade as coisas que escrevias sobre como foi o começo da tua vida londrina, sinto ainda mais. Lindo isso, linda ela.
Sunday, March 25, 2012
Fia das
Não deveria, mas estou sentindo um pouco de pena. Os caras maltratam e maltrataram milhares de pessoas para manter uma riqueza que nunca realmente existiu. Eles ainda tem uma Rainha, Rainha do que, para quem? A agricultura nunca deu lucros, a ilha é muito pequena para isso. Grandes industrias aconteceram, porém as montanhas de regras disso e daquilo, acabaram com o charmoso "Made in England"; nada mais é produzido na Inglaterra. Eles estão começando a entender que o país deles está mal economicamente, e querem que os governantes resolvam o problema enquanto eles saboreiam um chá conversando futilidades. Eles não gostam de trabalhar, sempre pensam que um "ser inferior"poderia fazer a coisa no lugar deles. Bem feito! me contradizendo só um pouquinho.
Friday, March 23, 2012
Mancadas
Cometi poucas gafes e portanto lembro de quase todas. No avião da primeira vinda, perguntei para a senhora que estava ao meu lado se ela era a Inglaterra (Are you England?). A pessoa rindo muito balançou a mão direita feito um aviãozinho desgovernado e com a cabeça gesticulou que sim. Outra vez, teria que encontrar umas pessoas perto de uma tal de torre do relógio ( Clock Tower) em Crouch End. Perguntei para o motorista do ônibus se ele passaria perto da Watch Tower ( Torre do relógio de pulso) o cara gargalhando fez sinal de positivo com um polegar, resolvi fechar a minha boca e estudar bastante a nova língua. Adiantou para as gafes daqui, teriam outras me esperando na terra mãe. No curso que tive que fazer para renovar a minha importante carteira de motorista a "profi" falou de um ciclone que apareceu em Santa Catarina nos idos 2000 e poucos. Eu disse: sério? Meus coleguinhas me olharam como se eu fosse um alien. Noutra feita, estava eu perdido em Porto Alegre e a bateria do meu celular morreu. Perguntei para a primeira pessoa disponível onde eu poderia comprar umas fichas telefônicas. Ele, com pena de mim acho, foi sincero dizendo: Acho difícil, tenta naquela revistaria do outro lado da rua. Outra vez, fui comprar um treco que custava dois reais e poucos centavos. Dei uma nota de dois e uma moeda de um real que é muito parecida com a moeda de dois pounds britânicos. Reclamei: Me deste o troco errado, te dei uma cédula de dois e uma moeda de dois reais. A guria retrucou: Senhor, moeda de dois reais não existe! Fiquei sabendo que a nota de um pila está fora de circulação por eu ser uma pessoa ainda bem relacionada. Os jornais de Londres não comentam nada sobre coisas positivas do Brasil, apenas do goleiro preso, favelas, trafico e a corrupção que tantos tem apenas inveja de não terem a chance de participar. O mundo sempre foi redondo e sempre será .
Tuesday, March 20, 2012
Nobres
Respeito muito quem gosta de gatos. Os gatos são seres que servem para dar algum calor para quem gosta deles. Os cachorros tem sentimentos claros e os mostram sempre. Os cães nos cuidam, entram feito malucos numa briga desleal para apenas salvar as nossas vidas, custando as vezes as vidinhas deles. Um dia a minha Rott mais querida, foi brigar com quatro Fila para me proteger. A mesma cadela que depois de um tempo sem eu ter podido estar perto dela me ignorou. Cheguei perto e dei um abraço apertado, ela não deu muita importância, olhava para a lua. Fui falar com meu amigo nosso vet que estava por perto e ele me disse: Ela tá magoada contigo porque ela pensa que a abandonaste. Peguei uma bola de tennis e voltei para tentar resolver a bronca. A coisa tava feia para o meu lado. Enquanto estava abraçado naquele pescoção cheio de músculos, pude ver umas gotas de mágoa que irrigavam aqueles olhinhos pretos. Depois de uns papos sérios, joguei a bolinha lomba abaixo e ela foi procurar pra me trazer, como nos velhos tempos. Amo eles, amava ela.
Saturday, March 17, 2012
Um dia
Gostaria muito de ter a chance de passar uns dias numa vila inglesa, daquelas de apenas nove ruas. Falaria o necessário e ouviria o que pudesse. Meus lençois seriam muito floriados e o café da manhã teria bacon, ovos fritos, um tomate queimado, duas fatias de pão molenga para serem regados ao molho de feijões brancos enlatados. Depois do copo de café solúvel que levaria, estaria mais do que na hora de conhecer a vila. Umas casas iguais com diferentes números, a igrejinha que eu entraria de costas para poder sair correndo sem perder nada de velocidade e o pub. No pub pediria a primeira cerveja, os de barba e os de bigode com chapéus ficariam me cuidando. Na segunda cerveja um deles me perguntaria: vens de onde? Londres é uma cidade grande, nasceste onde? Eu: Brasil. O chapeludo: Sim! Pelé, carnaval, favelas. Um de barba me salvaria do papo furado dizendo: deixa esse aí dizer bobagens sozinho. Este vilarejo ainda existe porque uma nazi-bomba explodiu a duzentos metros daqui. Prazer em te conhecer Rogério. Qual é teu sobrenome? Sairia correndo para a igreja mesmo sem ter feito amizade com o pastor. Deus tem que proteger a todos, não importando se acreditamos nele ou não, a coisa estaria feia para o meu lado.
Friday, March 16, 2012
Eu tento
Fui daqueles alunos que escolhiam um lugar no meio das salas de aula. Não queria perder muito do que os professores diziam e nem as ótimas piadas da galera da última fileira. Minhas impressões sobre o mundinho que vivo hoje certamente são influenciadas pela posição da minha pequena mesa de estudante. Outro fator completamente importante é que sou um brasileiro que ouviu e leu a vida inteira que os países europeus fazem parte de um tal de primeiro mundo. Se o Brasil faz parte de um terceiro, onde andaria o segundo? Já cansei de ler o "terra arrasada" dos brasileiros: nada está certo e nem nunca será, sempre seremos roubados, os políticos não prestam ( só no Brasil, jura?) e o papo depreciativo continua até eu parar de querer saber. A ladainha dos britânicos é oposta: Somos os bons e sempre seremos. Não temos uma única indústria, porque deixamos elas fecharem. Vamos todos juntos reabrir nossas indústrias, oferecer ao mundo produtos de qualidade britânica e reaquecer a economia que deixamos ao vento enquanto tomávamos uns importantes chás. A leitura que faço, daquele lugar da metade da sala de aula, é que gente que teve benefícios de colônias escravizadas, não sabe muito bem o que é trabalhar a sério. Eu não consigo elogiar meus amigos ingleses, vou continuar tentando, quem sabe um dia consiga.Sunday, March 11, 2012
Mortes

Nessa semana foi oficializado que o Brasil ultrapassou o Reino Unido num ranking fajuto de economia. Grande coisa, nosso país precisa alcançar coisas muito mais importantes para depois poder dar uma vida melhor a todos os seus habitantes. Curiosamente Harry estava em visita e, mais interessante ainda foi Morrissey avisar: "Ele veio pegar o dinheiro de vocês!", quem não percebeu isso? Moro em Londres o tempo suficiente para entender óbvios gritantes. Lá no café, sempre no café, um viking disse para outro: " Quando invadimos um país, e antes de abandonarmos os coitados, temos que ter certeza de que a democracia será plenamente instaurada. Um inglês iluminado, abandonando o lugar, resmunga: "Para de dizer asneiras!", estávamos apenas querendo o petróleo deles!" Uns ingleses estão evoluindo, graças ao bom menino Jesus.
Friday, March 09, 2012
Uma rua
Tive um amigo que com 24 anos de idade teve o primeiro filho. Casou com a guria mais linda do bairro e achou que também poderia se livrar das garras prussianas do meu avô. A vó era um pouco mais light, ensinava as secretárias a fazer as massas frescas da maneira italiana. O vô era um cara meio ruim de negócio, sempre me deu chances, mas para os filhos dele nunca. Tratava os guris meio mal, eu dizia: deixa o pai e os tios em paz. Ele: filhinho, fica na tua que pode sobrar pra ti. Eu: qual é a tua vô? Eu era mimado por ele, me emprestava as ferramentas pra eu brincar, porque sabia que voltariam todinhas limpas e no lugar certinho. Depois que fiz 22 anos fiquei muito amigo do filho do meu avô mais importante pra mim. Tínhamos grandes afinidades, fazíamos enormes fofocas e sabíamos que poderíamos confiar um no outro. Hoje ele é apenas o nome de uma rua de Porto Alegre. Eu conheci muito bem quem eu andava com o braço agarrado no pescoço do guri de cabelos brancos em Londres. Ele gostaria de estar vivo, nome de rua seria apenas amenizar o sofrimento de um menino agora muito triste. Ser o nome de uma rua, ele odiaria!Tuesday, March 06, 2012
Das frases
Minhas frasotas são tendenciosas e tentam narrar apenas uma versão do que vi, vejo, sinto ou senti. Por muitos parques tentei, nuns lugares bacanas também. Achei o meu mim aqui em casa, simples assim.
Monday, March 05, 2012
Gosto é gosto

Liguei a empoeirada televisão e assisti a pedacinhos de dois programas. No de carros, falavam sobre alternativas de substituir o petróleo como única fonte da energia automotiva. O cocô das vaquinhas e bois surgiu como a melhor, transformando a coisa em gás. Álcool da cana de açucar, não foi sequer mencionado. Se o álcool para movimentar motores é ecologicamente bacana, ou economicamente correto, não sei. Sei que funciona, tive dois carros a álcool e achava eles bem bons. No segundo programa, um de jantares para convidados entendidos, o anfitrião inventou de oferecer uma entrada "brasileira" que seria: salsichões cozidos ao molho de chuchu, com umas cenouras por cima. Os convidados acharam meio sem gosto a coisa, mas não reclamaram. Afinal, os brasileiros vivem numa enorme floresta e tem todo o tempo do mundo para descobrir legumes e frutas selvagens.
Wednesday, February 29, 2012
Para o "poetinha"
As vezes penso, por obviedade existiria, porém fico na dúvida se a máxima escrita (dita) como definitiva por uma pessoa de outrora seja verdadeira. Na minha vida londrina, o que penso ou digo é colocado facilmente numa vala comum, lixo. Então que papo furado é esse de existência? Vivo agora numa cidade que ninguém tem idéia do que a palavra ternura significa, saudades muito menos. Tentar explicar o que Vinicius queria dizer com: "Ai, que saudade... Ipanema era só felicidade. Era como se o amor doesse em paz...". Seria perda de tempo e encurtar a suposta existência que ainda me restaria.
Friday, February 24, 2012
Não seria?
A expressão "né ?" pode ser traduzida em quatro versões identificando o nível sócio-econômico dos ingleses facilmente. Os que nunca foram ou nem gostariam de ter frequentado uma escola usam em todas as frases o "innit ?". As pessoas que frequentaram escolas e fazem parte do povo pensante falam de uma forma aglutinada "isn't it ?". Os que se acham apenas superiores falam "isn't it ?" articulando todas as letras e, os ricos soletram pausadamente um "is it not ?". As quatro versões inglesas para o "né ?" querem apenas a aprovação de quem está ouvindo o que estaria sendo falado, nada mais do que isso. No Reino Unido denotaria também a classe social do ser falante. Sempre foi assim e sempre será.
Saturday, February 18, 2012
Papo furado
Friday, February 17, 2012
Meu tio
Tentando ser politicamente correto e justo comigo mesmo, vejo o planeta Terra habitado por seres sem muita noção de quase nada. Todos somos aparentemente parecidos, uns acham que são burros e outros tem certeza que seriam diferenciados. Uma das várias traduções de alguma filosofada de Nietzsche rezaria: " O antônimo do certo não é o errado, é a certeza".
Sunday, February 12, 2012
Talento desperdiçado
"Na cadeia voadora de volta a Londres" caiu nos meus olhos o documentário sobre a vida de Wilson Simonal. Assisti com um interesse incomum, afinal o que teria acontecido com o cantor de enormes sucessos que morreu como "um negro de cor" comum? Miele o descreveu como o maior cantor brasileiro de todos os tempos, desafiando quem não concordasse, "quem seria então?" Jaguar dizendo que na época pisavam sobre ovos para não serem presos ou mortos, então que o Pasquim deveria ser perdoado pelas piadas e medos. Ingenuidade, falta de cultura e desinformação acabaram com a carreira e vida de uma pessoa. Chico Anizio diz: quem foi delatado por ele, alguém conhece um? Wilson Simonal fez parte dos programas de televisão que eu assistia num sofá, meio que dormindo. J.Silvestre, Flávio Cavalcanti, Clube dos Artistas e Globo de Ouro fizeram parte da minha instrução primeira, então como não ser retardado naquele pais que eu vivia. Não sei a quantas andava a burrice de um pobre que virou rico naqueles verdes anos cor de chumbo.
Saturday, February 11, 2012
Pensando
As palmeiras, sabiás e as aves que não gorjeariam como na minha terra, poderiam enaltecer qualquer lugar que fosse digno da poesia, todos são. Cada terra tem suas palmeiras, sabiás, flores e aves próprias. Bastaria nascermos nela para sentirmos o orgulho que cada pedaço de chão, desse pequeno mundo, pode nos causar.
Monday, February 06, 2012
Plantas da vó
"Um buquê de scheffleras, deverias escrever algo sobre". Disse minha mãe ao me apresentar um punhado de folhas do lindo arbusto. Filho obediente como sempre fui, resolvi tentar. Uma vez nos anos mil oitocentos e poucos fui criança. Estava eu com meus batmans, super-homens, bola e meus carrinhos, nada além disso me interessava. Minha vó tinha um jardineiro que cuidava de todo aquele montão de plantas no casarão da praia que me impediam de brincar com a minha bola sem ficar de castigo, tipo não ganhar o sorvete diário, pipoca, ou qualquer outra coisa. Um dia, o vô chegou de Porto Alegre e uma schefflerona estava no meio da estradinha do carro quebrando o espelho retrovisor ( foi barbeiragem dele, naquela época só tinha o espelho da esquerda) ele não ficou feliz. Foi até a garagem, pegou um machado e foi podar a planta. Minha vó implorava para ele não assassinar o arbusto e eu feliz da vida pensava: isso mesmo vô! passa o facão nessas plantas todas, quero mais é brincar com minha bola e poder andar de roda gigante depois no parque de diversões. As crianças, da minha época, não tinham muita consciência ecológica e os adultos entendiam absolutamente nada de crianças.Tuesday, January 31, 2012
Pila na praia
O grito de “30 ovo por cinco pila” me chamou muito a atenção. Vinha de um caminhão quase se desmanchando, porém os alto-falantes e o microfone deveriam ser de muito boa qualidade, pois o som estava alto e claro. A questão do ovo da frase estar no solitário singular foi apenas engraçado. O Pila estaria tecnicamente correto segundo os linguistas gaudérios, mesmo assim morri de rir da falta do "s" na mercadoria e no preço. Tentei descobrir por que chamamos os nossos Pilas de Pila, achei uma história sem confirmações, assim como a do nome da moeda britânica "Pound", portanto cultura inútil ainda a agregar. Pode ser bobagem minha, mas eu gosto de ouvir o "s" dos pilas.
Sunday, January 29, 2012
Wednesday, January 25, 2012
Longônada
Vou-me embora para Longônada, não sou amigo do Rei e muito menos do Seu Teló. A dona Luiza não conhece, pois estava em outro lugar e, desesperadamente, espero que nunca vá. Lá, BB teve vida longa e já faleceu, BBB sobreviveria uma semana ou outra. Longônada, mesmo sendo uma aventura, nunca misturaria salas com privadas. Vou-me embora para Longônada, aqui não sou feliz.
Monday, January 23, 2012
Dos puxa-puxas e sonhos com mumu
Como parte dos planos de uma vingancinha do inverno Londrino, rumei para a casa da praia. Viria sozinho me deixando completamente livre para que eu inventasse os rituais que bem entendesse. Fui colocar gasolina num posto da minha juventude e peguei a Free Way. A estrada parecia estar boa, mas cheia de motoristas tentando mostrar que seriam bons pilotos ultrapassando carros pelas três pistas, me senti inseguro e com vergonha de fazer parte da grande família gaúcha. Fiquei sempre longe deles, suicídio nunca será a minha onda. Chegando numa bifurcação, resolvi continuar pela estrada velha, queria lembrar da minha infância achando uns barracos que vendiam rapaduras muito duras e enormes roscas de polvilho. Nunca gostei muito dos quitutes, mas elas faziam parte das minhas saudades e resolvi procurar para dar de presente na minha chegada. Não encontrei os barracos e nem as coisas. Lá pelas tantas, procurando Morro Alto para virar à direita, me deparei com um túnel moderno, iluminado e interminável. Percebi que estava completamente perdido na estradinha que conhecia tão bem. A minha ausência modificou tudo e bastante. Meio desnorteado e triste, achei de novo o caminho da minha história. A estradinha de acesso à praia agora está completamente cheia de comércios. Quando passei pelo ex solitário pórtico de Capão da Canoa, avistei uma metrópole e me dei conta do quanto minha juventude tinha ficado antiga. Minha amargura foi diminuída quando encontrei minha irmã, ela disse: "Eu já peguei aquele túnel e me senti uma idiota tendo que andar vários quilômetros desnecessários, nem esquenta. Vamos fazer um churras ou um carreteiro? A caipira vai sair em minutos". A mãe e a minha sobrinha devem ter pensado: Bá, os dois vão começar a rir e conversar para todo o sempre.Wednesday, January 18, 2012
Papelada trolha
Se amadurecimento significa resignação, vou ser um velho imaturo e muito ranzinza. Sonho sempre em andar pelas ruas de Porto Alegre que já andei (meu amigo talentoso que perdoe a pobritude da alusão). Meus sonhos sonham apenas com os capítulos bons das coisas, esquecendo ou negando os outros que não foram tão bons assim. Quando o sonho passa a ser realidade, percebo todo o eufemismo trouxa que uso para me enganar. As calçadas das ruas que sempre andei são armadilhas para as pessoas tropeçarem, as tintas das faixas de segurança só posso ver quando estou usando óculos de leitura. Os carros não param nos sinais vermelhos à noite pelo receio de serem assaltados, me avisaram. Paro em todos, ando quando a luz verde aparece, o certo seria assim. Ressuscitei uma carteira falecida. Nela cabe: CPF, identidade, titulo de eleitor, CNH, cartão do banco, IPVA, pilas, fotos, documentos do carro, moedas e o certificado de reservista. Faz nove anos que ando com dois cartões e nunca me pediram para nada. Já fui internado num hospital inglês, tive alta e não precisei mostrar nenhum documento para entrar ou poder sair. Hoje, fui num cartório fazer uma declaração de residência, num banco pagar uma taxa e tive que escrever e assinar uma declaração de que eu não seria analfabeto. Estava querendo renovar a minha autorização para dirigir em outros países pela terceira vez, depois de ter sido obrigado a fazer um curso de três dias sobre a nova legislação de trânsito na outra vez que renovei minha habilitação brasileira. No dia que me pedirem o número do CPF para que possam me vender um cacetinho em alguma padaria, nunca mais sonharei.Democracia já!
Era uma vez um jovem bonitão, muito inteligente e sem nenhum cabelo que foi fazer cursos de especialização na Inglaterra. Como praticamente todos os espelhos europeus foram dados aos índios brasileiros como forma de conseguirem algumas vantagens, não sobrou quase nenhum para que nosso herói pudesse deixar de ser tão humilde. A falta de espelhos também contribuiu muito para que ele iniciasse uma carreira meio particular: a de mentiroso sincero. Como as rugas não puderam ser vistas e a rabugice não identificada, nosso amigo continuou firme nas suas tenras convicções: No verão faz calor e no inverno faz frio, nas lancherias ou restaurantes sempre teria uma mostardinha salvadora, e às 19:00 horas tem que ter a hora do Brasil. A Inglaterra não tem a hora dela e eu sinto muita falta. A hora do Brasil é um programa que me transporta aos anos 1930 e me faz pensar que vivo no meio do mato. Acho muito democrático quando na metade da coisa que estou ouvindo um diz: Em Brasília, 19:00 horas: O senador xarlenston Orilando de Xiruí quer descobrir quem anda roubando a merenda do grupo escolar da rua que ele cuida. A deputada estadual de Pexerequê, Elen Terezinha, vai elaborar uma emenda ao projeto mais água para quem ainda gosta de tomar banho no nordeste. Eu gosto muito do programa imposto, espero que nunca acabem com a raça dele. No entanto, se resolverem acabar, eu teria uns requintes de crueldade bem bons para sugerir. Sunday, January 15, 2012
Oportunidade
Entrei num ônibus voador, sentei numa pedra parecida com uma poltrona e esperei. A pedra não reclinava, a janela não abria e o viajante que estava a minha esquerda dormia e dormia, ficando complicado pular a criatura para refrescar meu sentante. O monitorzinho que me cabia trancou, não conseguia nem desligar o infeliz. Quase chegando, senti os primeiros pingos gelados no peito. Depois de outros, descobri que estava chovendo em mim, apenas em mim. O ônibus tinha ar condicionado e estava descarregando as mágoas em alguém, tudo bem. Cheguei na rodoviária 40 graus, fiz a baldeação necessária e peguei um micro até meu destino final. Calor esperado, sol de brigadeiro, céu de brigadiano e eu feliz por dois curtos dias. A falta de chuva por um longo período estava trazendo sérios problemas para as pessoas da região. Eles não sabiam que um casal de nuvens pretas que se amam, haviam se escondido nas minhas sacolas. Chove sem parar já faz três dias. Sol e estrelas consigo ver apenas pela televisão, de novo. Tive a ideia de me oferecer para morar em qualquer deserto, assim o que pareceu ser um enorme azar pode ser transformado numa belíssima oportunidade de ganhar uma grana preta com as minhas nuvens. Friday, January 06, 2012
Um amigo meu
Quando fui apresentado ao Sr Wilfred Mansfield, fiquei meio sem ter o que dizer. Ele me olhando com desconfianças, afinal eu seria um brasileiro da casa dos comuns, nunca se sabe o tipo. Quando finalmente chegamos num parque de Londres, começamos nossa caminhada. Tivemos uns bons monólogos, até o inglês ficar mais íntimo, mais amigo. O afeto e a amizade apareceram facilmente. Quem seria eu, para merecer a confiança dele? Num caminho desses, o inglês sentiu cheiro de comida e correu na direção de umas pessoas que faziam um pic nic. Eu com vergonha da atitude, corri desesperadamente atrás para tentar impedir o roubo e a comilança das comidas. O Wilfred tem só um objetivo na nobre vida, comer tudo o que ele puder, enquanto ela dure. Ele é um nobre inglês, magro, limpo e bonito. Único defeito seria o de ser um grave ladrão de comidas.
Thursday, January 05, 2012
Cabelos brancos
Depois de já ter feito uma viagem longa e chata, chegar em Porto Alegre e achar os que me esperavam era muito fácil. Uma baixinha de cabelos brancos perto de um senhor bem mais alto, com os cabelos também descoloridos, eram uma fácil referência. Na última vez que cheguei no aeroporto eles não estavam, e ninguém me esperava, por motivos completamente entendidos. A vó já tinha viajado, e meu pai estava pensando em cometer o mesmo erro. Dias depois, cometeu. Os de cabeça branca, eram as minhas referências. Perdi eles e as tais. A baixinha esperta, me fez acompanha-la por uns 8 anos na procissão de Sta Rita que ela gostava. Eu ia, porque amava ela, e ela sabia disso. O mais alto de cabeça branca, foi meu melhor amigo. Nunca me deu colher de chá em nada, nem eu para ele. Quando pude começar a ganhar dele no xadrez, ganhei umas, uns empates, até ele se recusar a jogar de novo. Eu ria da cara dele. A vó, e o pai foram meus ídolos para tudo. To sem, perdi, que merda!Wednesday, January 04, 2012
Natal
Depois que ganhei o "Autorama do Emerson Fittipaldi", o dia do Natal começou a ficar cada vez mais sem graça. Para ser mais claro, cada vez mais triste. O pinheirinho cheio de "enfeites", e lampadinhas piscantes por todos os lugares, começaram a me incomodar. Minha rabugice teria nascido no Natal de 1800 e poucos, quando eu tinha uns 11 anos de idade. O presépio montado ao pé da árvore começou o problema, e cantar a música "Noite feliz", naquele tom deprimido, me fizeram um adolescente rebelde. Porque? para que? e os pobres? quem inventou isso? quem ganha? quem perde? qual é? Da rebeldia, nasceu um sentimento nobre, que uns denominariam: pena de quem gosta do teatro. Passados mais de duzentos anos, meu irmão me telefonou, todos os anos comete o mesmo erro, me intimando para um almojanta de Natal. Gosto do guri, abandonei a minha amada caverna, e fui na coisa de Natal. Fui comprar um presente, na loja que compro presentes pra ele sempre, e a loja estava fechada, dia 25 de dezembro nada funciona. Peguei um vinho bom e fui ver o mano. Na casa dele, tinha árvore, presente para mim, e entendimentos. Meu inglês é pobre, o português dele também, então falamos uma coisa pelas metades. Adorei quando voltei do lavabo e ele apontou para onde eu estava vindo, e mudo, começou a rir muito. Eu perguntei se ele estava bem. Ele: eu não lembrei como te dizer em português, não deixa a porta aberta. Foi engraçado, ele é toda a minha grande família aqui.Sunday, January 01, 2012
Uns
Nem faz tanto tempo assim. Umas pessoas tinham apenas umas folhas de papel, canetas que seguidamente precisavam de tinta e umas velas que teriam que ser trocadas. Mesmo com todas essas dificuldades, escreveram coisas lindas, marcantes. As abreviaturas seriam coisa de um futuro ainda muito distante, não ainda imaginado. As vogais e consoantes deveriam sempre andar juntas, afinal fazem parte de uma familia chamada Palavras. Imagino, na minha ingenuidade, que para desenhar a última vogal de uma frase, parágrafo ou livro, algum grande escritor tenha que ter trocado uma vela, colocado tinta na caneta, ou ter inventado algo para apagar um errinho anteriormente cometido. Hj td fkou + fcil, blz?
Thursday, December 29, 2011
Dois meus dois
Saudades de mim, de mais ninguém me faz tão triste. Mesmo daqueles que sempre e tanto amei. Morar longe dói, me faz parecer distante, coisa que nunca fui, nunca serei. Que saudades dos que me fizeram sentir um simples e feliz mim.
Monday, December 26, 2011
Good news
Apelidos deveriam existir apenas para salientarem as qualidades das pessoas, e não o contrário. A exceção que lembro, foi de um cara que conheci. Ele tinha uma cabeça grande e redonda, o sobrenome era Oliveira, então passou a ser chamado de azeitona. O azeitona era um cara inteligente, admitiu que o apelido era óbviamente criativo, nunca reclamou. Porque sou pequeno e careca, um gringo gordo começou a querer me chamar de franguinho da Sadia. O Polentão, ainda é conhecido por, e está levando uma vida bem bacana em Porto Alegre. Meus novos amigos, tentam seguidamente me chamar de Mister Favela. Para começar não é engraçado e não faz nenhum sentido, portanto não cola. Vou parar de escrever verdades sobre os ingleses, minha mãe pediu por estar preocupada, e também por eles estarem muito indignados com os brasileiros hoje. As favelas, bundas grandes e traficantes, passaram deles num ranking de economia elaborado por economistas nativos. O Brasil não apenas ultrapassou a Inglaterra, ultrapassou o Reino Unido, que é formado por quatro países. Faz anos que escrevo sobre as contradições que convivo, hoje, me senti aliviado, menos solitário e menos louco.
Saturday, December 24, 2011
Sabedores
Não gosto do dia 24 de Dezembro. Seria um dia como qualquer outro se não tivessem inventado, para alguns ganharem uns dinheiros extras, os presentes dos imaginados Reis magos. Moro numa cidade velha, cheia de pessoas antigas. Bom senso ainda seria uma novidade para esse pedaço de mundinho. Precisava comprar apenas um presente, e fui a luta. Pensei no que comprar, onde, achei o endereço na Internet e fui tranquilo. Me ralei. A rua existe, morei perto. Os números dos prédios não fazem o menor sentido. Porque? As milhas poderiam ser a explicação mais óbvia, mas não são. A melhor que achei foi que depois do incêndio de 1666, as casas numeradas seriam as que teriam seguro contra futuros incêndios. As outras não mereceriam nem números. Por isso agora em 2011, me senti de novo um oligofrênico. Procurava pelo numero 50. Estava na frente do 35, atravessei a rua e me deparei com o 467. Nem os números pares ou ímpares fazem sentido. Eles acham que são muito inteligentes, porque? qual foi a causa, ou de quais?
Wednesday, December 21, 2011
Chegando
Depois de muitos abraços húmidos, sai de Porto Alegre rumo ao mundo de tantas antigas histórias. No avião, cometi minha primeira e penúltima gafe. Perguntei para a mulher que falava inglês com os comissários e estava sentada do meu lado. Disse, caprichando no sotaque: Are you england? ( Você é a Inglaterra?) a pessoa levantou um polegar e riu muito. Me dei conta que eu estava frito, me senti um analfabeto imediatamente, e nem tinha chegado no lugar ainda. Decidi na hora virar mudo, até qualquer dia do futuro. Cheguei, não entendia ninguém, e nada do que estava escrito nas coisas. Eu, que era sabedor do verbo to be, vocabulário mais ou menos, disse pra mim mesmo: cara, tu te ralou feio agora. Ajudado por um mapa, consegui pegar os metrôs, ônibus e a caminhada que teria que fazer até chegar no meu primeiro destino em Londres, sempre ajudado por uma mala enorme, muito pesada e uma menor para me deixar mais aliviado. No outro dia, meu irmão me disse que tinha comprado passsagens para eu ir à Paris, passar uns dias com ele. Eu deveria definitivamente ir, já que estava tão perto. Fui, adivinhei o caminho para outro aeroporto, me senti perdido um monte de vezes, mas cheguei. Me senti muito mais analfabeto ainda em Paris, coisa que não me ajudou muito para a vida. No caminho da casa dele, que era no centro, avistei uma torre. Disse: aquela torre é a que estou pensando? Ele: deve ser, amanhã vamos lá. Fomos na parte mais alta. Depois brincamos de nos perdermos em Montmartre, ruas pequeninhas e uma cerveja num bar quase caindo de tão antigo. Dois dias ou mais depois, peço para lavar umas roupas, coloquei as coisas na máquina do guri e depois pensei, onde secar? Coloquei umas cordas nas janelas frontais do apartamento do cara no centro de Paris e estendi as minhas roupas. Quando ele chegou em casa, me olhou com mesclas de pena e ódio. Só agora entendo os sentimentos confusos. Amei aqueles dias.
Tuesday, December 20, 2011
TPM
Eu na maior amargura, minha mãe preocupada com minha aparência e eu com o que iria enfrentar. Ela lavou e passou, meio na obriga, roupas que acabei nunca mais usando. Enfiou num malão, camisas de linho, gravatas e uns blazers que eu ainda tinha. Meu pai, tinha me dado de presente de grego uma mala enorme com rodas novas, para que eu transportasse todas as expectativas deles. Carregar aquela mala, foi a maior demostração de carinho que pude dar para eles, a coisa era muito grande e pesada. O que de maior valor estava nela eram as fotografias dos meus filhotes, das outras pessoas tão importantes quanto, dois livros que eu roubei e o meu preferido. O preferido, é uma longa história da raça humana, quem leu sabe do que estou falando. Os que roubei foram um mini dicionário de portugues do professor Luft, e um pequeninho de inglês-português. Eu estava indo para um mato, precisava ter como me defender, uso os dois livros roubados todos os dias. O crime compensou. A dona, quando descobriu o roubo ficou braba comigo, a mesma que passou camisas a ferro. Nunca entendi a coisa.
Sunday, December 18, 2011
Xadrez
Tive duas avós meio marketeiras. Na primeira vez que voltei ao Brasil em férias, estava ainda aprendendo coisas com a que me abandonou por último, e aproveitei bastante. Era meu aniversário, dia de sol na praia, a figurinha olha para mim e diz: filho, pega este dinheirinho e compra uma coisa que gostes. Peguei as notas e me dei conta da enrascada que a vó tinha me enfiado. Comprar o que? do que eu gosto? do que preciso? Uma nuvenzinha preta apareceu a um metro sobre minha cabeça. Eu tinha que resolver a encrenca, afinal o dinheiro era da pensão dela, eu teria que gostar do presente, lembrar dela, uma coisa original, criativa, carinhosa. Eu deveria estar com uma cara de catacumba, porque meu pai disse: o deprimido, preciso dar umas voltas e não to afim de dirigir, vamos? Disse: To nessa. Fomos numa ferragem, e o papo fluindo, madeireira, banco, padaria, super mercado e esqueci do problema que a vó tinha me arrumado por uns minutos. Quando lembrei, disse: pai, a vó me ralou, ela me deu uns pilas pra eu comprar alguma coisa que eu queira e eu não sei o que fazer com isso. Ele: levei muitos anos para gostar da minha sogra, sabes o quanto gosto dela agora, mas ela sempre foi terrível. Nisso, apareceu pelo vidro do carro, um vendedor de redes. Comprei, pela metade do preço, a rede mais linda que possa existir. Como sempre, meu pai tinha entendido minhas entrelinhas. Depois que compramos a rede, precisavamos mostrar para a sogra dele o resultado da minha penúria resolvida. Mostrada, sentamos na nossa mesinha de perder no xadrez tranquilos e felizes. Era meu aniversário. A vó ainda hoje vive dentro de mim, e também pendurada na minha casa. Adorava ela.
Friday, December 16, 2011
Das fraldas
Meu dia foi curioso. Descobri, googleing, que um senhor baiano que se diz chamar Deus da Silva, publica as pobrices que escrevo no blog Espinho no dedo ll. O Sr Deus não me pediu autorização para coisa alguma, e ainda me colocou no time B, qual seria a dele? Os jornais londrinos de hoje gritaram que o marido da Carla Bruni, acha que o primeiro-ministro britânico esta sendo muito infantil tratando assuntos tão sérios como brincadeiras na seríssima crise europeia. Faz tempo que escrevo sobre o que Sarcozy desabafou, pelo menos um vivente concordou comigo. Foi bem bom ler as notícias. Quanto ao Sr Deus da Silva, que me coloque na primeira divisão ou que, pelo menos, me escreva dizendo porque eu teria sido rebaixado.
Thursday, December 15, 2011
Espelho meu
Ontem, me dei conta do quanto minha alma ainda é pequena. No descanso do cafézinho, o turco e o húngaro falavam sobre a crise da europa. Os dois preocupados, na verdade, com a validade dos passaportes deles falando, falando. Eu, apenas tomando meu café, dando uma descansada e me preparando para as coisas que deveria fazer depois. O húngaro então largou: O Reino Unido tem receio de sair da união europeia porque a França é o país com a melhor produtividade agrícola da atualidade. Uma entidade baixou e eu disse: cara, para de dizer besteiras, a França? olha o tamanho daquilo. Meio envergonhado com a reação primitiva, fui dar uma pesquisada nas coisas de ranking da produção de alimentos. Achei um e encaminhei para o turco. O site dizia que os USA são os mais produtivos, seguidos por todos os países da união europeia e em terceira posição estaria o Brasil. No outro cafézinho da tarde perguntei para o turco, recebeste o link que te enviei? ele: então o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos da atualidade pra ser mais justo. Um sangue vergonhoso subiu para a minha careca e então disse: tem que ser, já viste em algum mapa o tamanho do Brasil? Meu pais sempre foi grande, minha alma que deveria crescer um pouco. Um dia vai, espero.Wednesday, December 14, 2011
Gente punk

No jantar de final de ano da firma enxerguei o Pip, fui bater um papo com meu amigo. Virgínia, sua esposa de tantos anos, estava ao seu lado. Falamos um pouco sobre coisas sem muita importância, deu uma coragem e disse: andei dando uma lida na história do The Crass, tu eras a cantora Joy de Vivre, não eras? O Pip era o Phil Free, ele tímidamente gostou do rumo que a conversa foi levada. The Crass, foi a banda precursora de muitas outras contra tudo e a favor do que as pessoas, ditas como evoluídas, pensam agora. Vocês não ganharam dinheiro com aquele sucesso todo que fizeram, ganharam? afinal, a coisa da existência do grupo era tentar mudar o mundo como ele era em 1977 e ganhar dinheiro seria uma coisa antagônica. Ela olhando diretamente para meus olhos: temos que andar de ônibus e eu odeio. Eu: as pessoas no geral, não aprendem coisas com facilidades. O Pip me deu um abraço bem apertado. Trabalhar com o letrista da banda britânica que começou a coisa punk em 1977 não é pra qualquer gaúcho. A Joy de Vivre entendeu, porque o Pip me vendeu o carro velho deles meio dado.
Thursday, December 08, 2011
Amigos
Infância pode ser uma fase complicada. Alguns que já deveriam ser adultos na minha época, achavam que as crianças não mereciam muito respeito, afinal eramos apenas crianças. Para minimizar um pouco a minha injusta inferioridade, depois de uns três anos, nasceu a minha irmã. Tive que esperar muitos meses ate o bebezão poder falar, andar e talvez ser útil. Quando começou a falar, descobriram que ela era toda chata e os pés inclusive. Começou, por recomendações pediátricas, a usar botinhas ortopédicas, as mesmas que ela tentava acertar as minhas canelas, sem noção da dor que poderia me causar. Eu ainda era uma criança sozinha, construía umas estradinhas para brincar com os meus carrinhos, umas com pontezinhas bem arquitetadas. O bebezão aparecia e sempre pisoteava tudo. Eu era mais alto, e ela apenas mais gorda. Já sabia que não se pode bater em uma mulher nem com uma flor, apenas por isso não batia o brim dela. Na verdade, iria levar uns tapas dos grandes e eu não tava muito afim. Depois, o bicho cresceu e já falava, gostava de ver o Zorro, desenhos na televisão comigo e meus ódios foram diminuindo. Mais tarde ela seria o Robin e eu o Batman, com umas capas de chuva que achamos, destruíamos a sala da casa. Jogava futebol de botão comigo, íamos de bicicleta num clube tomar banhos de piscina, e cinema todos os domingos. Eu tinha medo de pedir para ir, ela nunca teve. Nossos pais davam os dinheiros e nos levavam, porque talvez tivessem receio de levar um chute das botinhas dela nas canelas deles. Alguns anos se passaram e a gorducha virou uma magrona alta e toda bonitona. Pra minha sorte, ela parou de usar as botinhas e virou minha melhor amiga. Somos amigos já faz uns 59 anos e nunca brigamos (uma vez ela usou minha escova de dentes para limpar os tipos da máquina de escrever dela, tudo foi resolvido depois, eu não sou rancoroso...). No aeroporto, quando eu estava para vir de muda e mudar alguma coisa, lá estavam os meus filhos, pais, tios, vó, sobrinha, cunhado, amigos e o restante da família. Depois de todos os abraços gotejantes, passando da linha de embarque, senti alguém pondo algo num bolço de trás da minha calça. Tirei a coisa e vi que eram uns bons dólares. Quem faria aquilo senão a ex gorducha? Achei a carinha dela no meio das pessoas, lá estavam aqueles olhos verdes úmidos me dizendo: te cuida e boa sorte mano.
Sunday, December 04, 2011
Franqueza
Das coisas que lembro, umas não consigo esquecer. Meu irmão rico morava em Paris no ano que me mudei para Londres. Nossos pais, resolveram dar uma passeada pela Europa e assim poder também dar uma conferida nas vidas dos guris. Em Paris, foram recebidos aos costumes. Como sempre, ficaram numa casa com suite para o casal, croissants fresquinhos e mais todos uns etcéteras. Umas semanas depois meu irmão me telefonou dizendo: negócio é o seguinte, os dois estão indo para Londres e tens que reservar um hotel legal pra eles, te vira. Não pode ser um muito caro, porque a mãe vai querer te matar e também um não muito ruim, senão o pai faria o serviço. O guri me meteu numa fria. Falar inglês era ainda uma dificuldade, e entender o que as pessoas diziam era ainda mais difícil. Me enchi de coragem e fui num monte de hotéis, achei um que talvez preservasse o meu já tão difícil viver. Tive que juntar umas raras moedas para buscar os caras no aeroporto, não era só meu inglês que era furado, a carteira estava com problemas também. Já no trem para chegarmos em Londres, recebi uma mensagem no telefone: olha, a mãe fez uma plástica nos olhos e tens que notar, senão ela vai ficar triste. Li a mensagem e comecei a gargalhar, mostrei para o pai e ele adorou. A mãe: vocês sempre de conluio, que injustos. Levei eles no hotel que escolhi e acharam ok. No outro dia, mostrei onde morava e eles não gostaram muito, foram apenas muito elegantes nas opiniões. Eles voltaram muitas outras vezes a Londres, essa foi a que lembro de uns carinhos muito especiais. Fomos nuns restaurantes, ganhei umas partidas de pool inglês, a mãe me mostrou a cidade que eu estava morando, e meu pai num dia daqueles me disse: Rogério, me desculpa a franqueza, tu andas muito mal vestido.
Friday, December 02, 2011
FMI fora daqui
Preciso de ajuda, umas coisas não consigo entender no país que me adotou. Quando algum orgão vai fiscalizar uma empresa, seja do que for, eles avisam, e marcam dia e hora. As greves são avisadas, com pelo menos duas semanas de antecedência para as pessoas se organizarem, e duram um dia, apenas um dia. Fiscalizar o que? se as empresas podem arrumar o que não esta bom, e depois deixar as coisas como estavam. Greves para que? se somente o povo trabalhador pagaria o pato. Fiscalização deveria ser feita sem data marcada, e greves deveriam durar ate que as partes entrassem num acordo. Coisas democráticas numa monarquia parlamentarista estão me deixando muito confuso. Wednesday, November 30, 2011
Friday, November 25, 2011
Bate papo
Numa das viagens de Porto Alegre à Londres, vim sentado ao lado de uma magrona de Caxias do Sul. Ela também morava na cidade já fazia um bom tempo, e estava me alugando para falar sobre as causas do fim da relação com o sortudo e irresponsável ex namorado. Aquelas onze horas de vôo, parecem uma eternidade para mim. Me distrair com fofocas alheias, sempre me ajudariam e o papo estava bem bom. Pego sempre uma cadeirinha no corredor, depois de algum filme mal assistido, posso passear pelo avião-cadeia sem me sentir muito preso. Vou lá no final, puxo um papo com as comissárias, ganho as vezes um café, uns minutos a menos da tortura e volto para a cadeira da bunda doída. A gringa falava pelos cotovelos, até que num momento me fez uma pergunta: o que estas trazendo de bom na mala? Eu, muito feliz respondi: 2 kgs de farinha de mandioca, umas folhas de louro frescas e 10 pacotes do cigarro que eu fumo no Br. O avião desceu no aeroporto e eu fiquei feliz da vida, algum tempo depois estaria de volta no meu ninho. Ledo engano, o raio X e um cachorro fofoqueiro fizeram com que eu tivesse que encarar uma fiscalização. A policial: estas trazendo quantas carteiras de cigarros? Eu: somente as que poderia trazer. Ela: então abre a mala e põe todas as coisas em cima dessa mesa que eu vou conferir. Fiquei furioso com a inglesa, mas abri a mala e coloquei toda a muamba na cara dela. Ela: porque tu mentiu? No meio do meu stress, vejo a gaúcha faladora com a mala sendo revistada por policiais num lugar próximo, e ela: quero ver agora tu explicares a farinha de mandioca e as folhas de louro.Wednesday, November 23, 2011
Amigos
Mal ou bem, falo e escrevo usando outra língua todos os dias. Ainda me vejo como o menino que usou o silêncio como arma secreta contra os desavisados adultos de antigamente. Agora, apareceram outros seres de uma classe parecida. Não tento mais traduzir coisas, falo somente o necessário, e meus dentes são vistos apenas por acaso. Língua, que coisinha importante para respeitos merecidos.
Sunday, November 20, 2011
Aluno fraquinho
Já desisti de tentar parcerias numas coisas que penso. Os aviões tem um pouco de responsabilidade pelo céu londrino ser cinza, e trens de carga não teriam autorização para se moverem. Os aviões, quando estão largando aquelas duas linhas branquinhas no alto dos céus virariam tinta cinza, ou aquelas centenas de fumacinhas paralelas seriam bio-desaparecíveis. Todas as vezes que comentei minha percepção, desqualificaram. Os trens de carga não deveriam funcionar, não sei como aqueles trens andam. No "jardim do descanso" de onde trabalho, existem uns trilhos a poucos metros das cercas. O longo Eurostar passa por ali, mas quando aparece um trem de carga, fico admirando, admirado. Como um motor, por mais potente que seja, possa puxar uma tripa de vagões completamente mais pesados e sem apoio nenhum? Um, que um dia tentei dividir minha revolta me disse: Roger, já inventaram a roda, sabias? e saiu rindo da minha cara me achando ridículo. Eu fiquei pensando: a alavanca de Arquimedes deve ter sido uma invenção dos meus professores brasileiros de física. Os trens andam, quando alguém me der uma explicação para a mágica, dormirei mais feliz.
Saturday, November 19, 2011
Friday, November 18, 2011
Dancing days
Me deu um branco, estou tentando contar o que ouvi hoje e ta difícil. Daria para começar de tantas maneiras que resolvi pular o começo. Tenho mais de meio século de vida, e por isso mesmo penso que os brinquedos que tive, ou a vida de antigamente não eram melhores do que a de hoje. Admito que se o toca discos parasse de girar, sabíamos que a correia tinha arrebentado, seria apenas pedir para uma amiga a borrachinha do cabelo que daria para continuar com a música. Agora se as coisas param, param. Se o carro tinha gasolina e não tava dando partida, lomba a baixo ou pedir para alguém dar uma empurrada. Agora, tentar fazer um carro pegar no tranco é mancada, o conserto vai ser e-isso, e-aquilo, muito e-atraso e muito e-caro. Hoje, um cristo plugou o telefone dele no amplificador que faz vibrar duas caixas acústicas, um canal não estava funcionando. Na seleção de antigas bandas inglesas, estava tocando the Hollies, música que tinha sido gravada em dois canais, ouvir apenas um, tava engraçado. O Paul fumando o cig dele no jardim do descanso, e eu disse: a coisa ta num canal, ouves a ridícula guitarrinha? Ele: e o baterista perdidinho? Então larguei: na época que comecei com a coisa de estúdios, se usava fitas de duas polegadas para gravar as coisas. As mesas de mixagem tinham uns três metros de comprimento e as gravadoras uns elefantes. Ele acabou comigo, disse: Lembra da banda Chic? vários sucessos internacionais? Eu tenho uma copia da master em duas polegadas de Good times, esta num armário da minha sala. Já pude ouvir apenas os violinos da gravação, muito legal. Do papo, me deu muitas saudades da época que eu podia aumentar ou diminuir os volumes dos instrumentos que coloriram a minha vida dos 20 e poucos anos. Agora, não tenho ideia de onde estaria o botão de volume ou onde estaria o liga/desliga de qualquer ser ou coisa.
Wednesday, November 16, 2011
Buteco favorito
Tuesday, November 15, 2011
Benevolência
Ser simples e modesto, seriam seguramente as únicas qualidades que ainda me faltavam. Depois que vim morar na Europa, elas apareceram naturalmente. Quando entendi o que os londrinos do norte tentavam falar, comecei a entender todas as letras das músicas inglesas, e também a língua que os americanos costumam vomitar. Os estrangeiros que falam fluentemente inglês, tenho mais paciência e digo as vezes: calma, respira fundo e tenta te expressar de novo. Antes, quando não entendia os caras, eu ficava triste com meu suposto analfabetismo, agora, acho que eles deveriam procurar um fonoaudiólogo e fazer um tratamento longo, não tenho pena dessa gente. Como minha modéstia já se fez presente, estaria na hora de comentar sobre minha simplicidade. Fui pegar um café, e um papo pegando fogo no local. Um nativo: po! não me interpretem mal, mas até quando o nosso governo vai dar ajuda financeira aos casais do leste-europeu que resolvem ter filhos aqui? Já não basta os que não são britânicos e são residentes? Ele continuando o desabafo: qualquer branquela, bebedor de vodka, que resolver facilitar a vida viria para cá, ter filhos e receber benefícios, até quando? A England, esta com um pé na falência, e ajudando financeiramente muitos "habitantes" sem nenhum critério. Depois, uns me criticam quando digo que os caras são atores de circo dos narizes vermelhos. Se não ficou clara minha simplicidade, deveria voltar para a parte da modéstia, era mais simples e muito mais fácil de tentar explicar.Sunday, November 13, 2011
Na contramão
Trabalho com três engraçadinhos. Num dia de chuva cheguei todo molhado, água escorrendo careca abaixo. O Paul rindo da minha cara: e aí, a tua bicicleta elétrica não te deu nenhum choque? O Pip: próxima vez deverias comprar uma com telhado. Antes que o Vikas chegasse e dissesse mais alguma gracinha, disse: não vou comprar bicicleta nenhuma, vou comprar um carro e deixar de ser alternativinho. O Pip: compra o meu usado então, tá lá no estacionamento, quero 600 pilas. A chuva deu uma parada e fui ver de perto o carro o que o Philipp queria me empurrar. Achei o preto carrinho tudo de bom. Voltei pra sala e disse: queres 600 pilas pelo carro? ele: é. Sem acreditar muito na coisa, passei num caixa eletrônico peguei 600 pilas e no outro dia dei as notas para o perdulário. Ele: amanhã trarei os papéis para assinarmos. Depois de termos assinado a papelada, ganhei uma chave e fui ver o que tinha comprado. 46mil Kms, air bag, direção macia, vidros e trancas elétricas, CD player de fábrica, faróis regulados eletronicamente, manual intacto, limpo, sistema anti-furto e tanque cheio. Fui indignado falar com o doido: Pip tu és maluco? Ele: eu sei que o carro vale muito mais, mas trabalhamos há tanto tempo juntos e gosto muito de ti, comprei um carro novo e resolvi me fazer de otário. Vais reclamar? Lembrei de como foram dramáticas as compras de carros que fiz no Brasil. Mesmo quando novos, nunca pude acreditar nas promessas mirabolantes dos vendedores. Friday, November 11, 2011
Amigo Gary
Quando consegui usar um telefone sem achar que a coisa me morderia, liguei para uma pessoa que estaria alugando um canto para solteiros. Usei todas as aulas de inglês que tive, e as que matei pra entender o que a(enorme) tia Irlandesa falava. Acertei a esquina e pude me encontrar com a dona da minha nova trincheira. Na nova trincheira estava o Gary, 40 e poucos anos e otimista. Casado e bem, vi fotografias da gringa, uma filha linda, muitos sonhos e planos. O cara perdia horas e horas querendo me ensinar a língua dele, ficamos amigos de cara. Ele usava blazer e gravata sempre, eu dizia: deixa de ser ridículo! estas em casa, vai lá por uma camiseta. Ele: Rogd, eu tenho que criar condições pra trazer as minhas duas para viver em Londres comigo, a coisa ficou impossível na minha cidade. Quem serias tu pra me recriminar, um estrangeiro cheio de vida e te escondendo atrás das dificuldades de uma simples língua. Rodg, põe um blazer e diz que tu queres o emprego de gerente, pelo menos. Eu: Gary, eu sou brasileiro, falo ingles que aprendi na escola. Ele: Rogd, tu sempre vem com desculpas para nao fazer as coisas. Vamos lá no pub, pago as cervejas, ver uma partida de rugby? eu te ensino o jogo é facil de entender, vais adorar! Tenho muitas saudades do meu amigo inglês, ele nao seria a pessoa mais normal que conheci, mas seguramente a mais corajosa e mais estimuladora que a sorte pode colocar no meu caminho.
Thursday, November 10, 2011
Dois patetas
Teclas, seguidamente tentam apanhar meus quatro dedos apertadores. Eles fogem delas, porque são meus aliados e querem apertar aquelas que melhor definam o que sinto. As vezes, por causa dessa disputa ridícula, quem acaba "pagando o pato", seria exclusivamente eu. Se essa desculpa não "colar", tenho outras para tentar justificar minhas indignações. O muito inteligente senhor Wernher von Braun, foi o chefe de uma turma de brilhantes cientistas que fizeram o projeto V-2 virar realidade, depois do fracaço da bomba anterior. A bomba V-1 era um foguetinho lento, qualquer marinheiro interceptaria e interceptavam. A V-2 não tinha como parar, era uma bomba/foquete de endereço certo. Falar em números de mortos ou sentimentos das pessoas que sobreviveram seria ridículo agora, meus dedos não estão deixando. As teclas diriam que o inteligente alemão foi recepcionado com glórias nos USA, após o suicídio de seu anterior adorado chefe, Hitler. O nazi/alemão não era qualquer um, chefiou a turma que criou o foquetão que possibilitou as Apollo levar os americans à lua. Nem por isso, cá entre nós, ele deveria ter sido absolvido pelos milhares de mortos que a sua inteligência causou. Enfim, Almodovar tá definitivamente esclerosado, Melancholia é um filme chato pra caramba, Disney dinheirista e os americanos em geral são gordos e bobos.








